O dom da vida
Como apresentamo-nos em nossas mais variadas formas, por vezes como seres vestidos da couraça de nossas vestes puídas pelos momentos que maltrapilhos cruzamos estradas empoeiradas de nossa jornada.
É a circunvizinha dor que se alastra com poder proliferante de manter dispersos nossos sorrisos. Quando o cair se torna abundante e o nosso peito grita em uníssono pelo nobre gesto de misericórdia.
Há as vezes que o pranto afoga memórias e destoa a melodia de nossas vontades infantis. E somos inocentes na mais injustiçada forma de levar a vida. São tantos grilhões dispostos que condenados errantes aceitamos a sentença sem argumentar defesa alguma. Doentes, sucumbimos.Cansados, desistimos. E achamos por bem apagar esperanças que tímidas insistem em permanecer e, Morremos!
Essa matéria que nos acompanha como um veículo, despreparada pra despedida, pro termino predestinado e conflitantemente aspirando vida...uma vida que não combina com manchetes sangrentas, com o bélico. E percebemos o quão consensuado está a morte do velho para o renascimento do novo, o júbilo dos rebentos.Acostumados a aceitar partidas, despedidas e rompimentos.
Não mais contentamo-nos que seja tirada apenas a poeira dos sapatos, que o jornal de ontem seja lido com o mesmo entusiasmo de hoje. Resignação e fé, na aceitação da derrota, no conformismo covarde das nossas mãos pesarosas tendo o manifesto publico como o elixir da realidade.
Somos o que desejamos. Corremos, mas não esticamos a faixa de chegada, não saímos ainda da linha de partida. Sabotamos a nossa inteligência, entorpecemos os nossos membros, inebriamos os nossos sentidos. E, aceitamos o que o legado construído pela nossa imposição nos traz. Acovardamos em aceitar não mais sentir o oxigênio a encher os nossos pulmões, cansamos de escutar o pulsar de nossos corações. Banalizamos o dom maior da vida.
E, tudo isso porque procuramos explicações infundadas, motivos e circunstancias e, quando não obtemos as nossas respostas, nos calamos como filhos mimados a desafiar a autoridade e nos rebelamos. Tudo porque acostumamos a morrer em vida. Onde viver como diz o poeta " é combate, que aos fracos abate e que aos fortes e bravos, só pode exaltar"
Diego, a tia sempre agradece a tua vida.
M Soleni










